segunda-feira, 14 de setembro de 2009

ANÁLISE DE CONJUNTURA - CUBA X EUA

Nova perspectiva para as relações EUA–Cuba
Renan Sales de Oliveira
Relações Internacionais – 8º Sem.

A eleição de Barack Obama para o cargo de Presidente dos Estados Unidos abriu a possibilidade de um novo capítulo nas relações do país com Cuba. Concorre para essa noção o afastamento, por motivos de saúde, do líder da Revolução Cubana de 1959 (e desde então Presidente) Fidel Castro, substituído pelo irmão, aparentemente mais “linha branda”, Raúl Castro. Da parte dos EUA, algumas ações pontuais, mas significativas, parecem acenar com um futuro próximo em que as relações do país com a ilha serão mais de diálogo e cooperação, do que com ameaças e represálias, como têm sido caracterizadas no último meio século.
De fato, desde o início da administração Obama, iniciativas foram tomadas numa possível tentativa de reaproximar as duas nações, e pela primeira vez um presidente norte-americano atenuou as severas restrições existentes no embargo comercial, econômico e financeiro a Cuba.
Imposto em 1961 pelo então Presidente John F. Kennedy, desde então o embargo foi inexoravelmente aprofundado pelos mandatários seguintes; nos quase cinqüenta anos de história seguintes, os fatos que mais se destacaram nas conturbadas relações entre os dois países incluem a malfadada invasão americana à Baía dos Porcos, no mesmo ano; a Crise dos Mísseis, um dos episódios mais críticos da Guerra Fria, em 1962; e, já em 1996, a lei Helms-Burton, no governo Clinton, que penalizava empresas estrangeiras que tivessem negócios em Cuba. Na esteira dos acontecimentos que se sucederam aos ataques terroristas de 11 de setembro, o presidente George W. Bush incluiu Cuba no grupo de países que, se-gundo ele, dariam guarita e apoio ao terrorismo internacional – o chamado “Eixo do Mal”.
É nesse sentido que Obama parece caminhar no sentido contrário de seus predecessores. Em abril de 2009, o presidente levantou as restrições que havia a viagens à ilha, bem como à remessa de dinheiro feita pelo grande contingente de cubano-americanos com destino a suas famílias ainda residentes em Cuba. Em setembro, o relaxamento normativo foi ainda mais aprofundado: agora, além de viagens ilimitadas e remessas maiores de capital feitas por pessoas físicas, os bancos norte-americanos poderão assinar acordos com instituições financeiras cubanas, e companhias de telecomunicação dos EUA estão autorizadas a operar na ilha (inclusive com a instalação de satélites e cabos de fibra óptica).
Esses sinais, ainda que recentes e pontuais, apontam para a possibilidade de uma discussão mais ampla contemplando o fim do embargo a Cuba. Nos últimos anos, diversos organismos internacionais, incluindo as Nações Unidas (ONU), condenaram as rigorosas restrições econômicas impostas pelos EUA, e a figura carismática de Obama, cuja campanha presidencial se configurou pelo lema da mudança, do afastamento da sinistra doutrina Bush, indica o momento adequado para reatar relações diplomáticas com a ilha. Durante décadas o embargo serviu um importante papel no embate bipolar da Guerra Fria e mesmo nos anos subseqüentes à queda do regime soviético, quando Cuba deixou de receber o auxílio monetário enviado de sua madrasta ideológica de Moscou, ou seja, dar um recado bem claro para o resto do mundo a respeito da precariedade do “comunismo”, em contraste com a democracia liberal e o capitalismo.
Hoje os tempos são outros. Já não vivemos mais o mundo do pós-Guerra Fria, mas sim o do pós-11 de setembro. Isso significa dizer que não existe mais uma necessidade poli-tica ou ideológica dos EUA em manter o embargo econômico a Cuba, um pretexto coercitivo que serviu para forçar a ilha a se manter fiel ao seu regime e ao seu ditador durante décadas. A figura de Fidel Castro, mesmo cambaleante e fora da linha de frente da política cubana, ainda é forte o bastante para assegurar a manutenção do regime; contudo, desde que sua morte não crie no país o mesmo culto que o fim de Mao Tse-tung criou na China, levando à permanência do comunismo à despeito da crescente liberalização comercial do país; desde que isso não ocorra, a eventual (embora, certamente, gradativa) adesão cubana à economia de livre-mercado será inevitável. Para isso, porém, é imperativo que os Estados Unidos tomem a iniciativa de retirar o embargo e restabelecer relações diplomáticas e de cooperação com Cuba, e Barack Obama parece ser o homem certo para essa decisão.
Parafraseando Maquiavel, a oportunidade se apresenta no horizonte. Basta ao presidente americano provar que, além de fortuna, possui a virtù necessária para realizar essa tarefa.
MARIANA SILVA DUTRA
RELAÇÕES INTERNACIONAIS
8º SEMESTRE

CUBA SEM FIDEL

Fidel Castro liderou a Revolução Cubana que derrubou o ditador Fulgêncio Batista em 1º de janeiro de 1959 e esteve no comando do país por 49 anos, até se afastar por problemas de saúde, em julho de 2006. Raúl Castro, irmão mais novo de Fidel, ficou no poder provisoriamente durante esse afastamento do presidente.
Em 2008, Fidel renunciou seu cargo oficialmente, possibilitando que seu irmão o substituísse na presidência do país.
Agora com Raúl Castro no poder muitos prevêem uma abertura de Cuba para o mundo e o fim do seu regime socialista. Para o próprio presidente cubano mudanças no regime do país encontram-se fora de discussão, e isso porque há ainda uma forte influência da política castrista na Ilha, pois mesmo com Raúl na presidência, Fidel continua a ser uma voz internacional poderosa em Cuba, por meio de colunas regulares que o ex-presidente escreve para jornais estatais.
Podemos observar que mudanças em Cuba já estão ocorrendo, isso é conseqüência do novo governo americano e seu atual posicionamento diplomático com a ilha. O governo de Obama em seu diálogo com Cuba colocou fim as restrições sobre viagens aos cidadãos americanos com parentes em Cuba e remessas que eles podem enviar à ilha. Outro detalhe importante, ocorrido em 2009, foi o fim da suspensão de Cuba na OEA (Organização dos Estados Americanos) após 47 anos.
Mesmo que a renúncia de Fidel propicie uma boa oportunidade para que o regime “democrático” se instale em Cuba, observamos que se fazem necessárias mais mudanças norte-americanas sobre a ilha, já que ainda permanece intacto o embargo econômico, comercial e financeiro à Cuba, perseguindo quem comercializa com o país, e também persiste a injustificada inclusão de Cuba na lista dos países promotores do terrorismo. Enquanto não houver estas mudanças, o socialismo não será tema de diálogo em Cuba.
Concluímos que há chances de mudanças no regime de Cuba, mas isso ainda demandará muito tempo e exigirá inúmeras mudanças, pois no momento não há nenhum sintoma na ilha, nem nos setores representativos e nem na vontade do povo de que o país tenha uma abertura política com maior representação popular e uma economia de mercado.

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